Fazer um financiamento ou poupar antes? Quando o barato que sai caro

Crise econômica, desemprego ou outros fatores, pode levar um consumidor a ficar com pouco dinheiro do bolso. Para suprir esse déficit do orçamento doméstico, muitos buscam no cartão de crédito ou crediário, uma opção viável para fazer suas compras.

Apesar dos fatores citados acima, existem diversos estudos que apontam que: o endividamento das famílias, em parte se dá pelo mal planejamento das compras. Entre os vilões estão as compras por impulso, quando um item é adquirido, sem planejar a sua real necessidade ou funcionalidade.

Entre os produtos mais comprados no crediário ou pelo cartão de crédito, se destacam roupas, sapatos e acessórios. Isso que apontou levantamento realizado pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e do SPC em setembro de 2018. nesta mesma pesquisa outro dado chamou bastante atenção: 48% dos consumidores que utilizam o cartão de crédito como meio de pagamento e parcelamento,  não conseguem pagar a fatura. Já quando o assunto é compras pelo crediário, esse índice salta para 58% dos consumidores inadimplentes.

Poupar pode ser a melhor saída para evitar o endividamento futuro

Existe uma regra universal e bem simples na qual, impossibilita o endividamento, quando realizada uma aquisição pagando a vista. É claro, isso é lógica básica. Mas, ao contrário de muitos possam imaginar, consumidores de todas as classes sociais, têm dificuldade para poupar, ou seja, o endividamento, não é um hábito restrito a população mais carente. É uma questão cultural no Brasil, é o que aponta o Indicador Mensal de Reserva Financeira.

Nesse mesmo relatório, apontou que somente 20% da população, consegue fechar o mês com dinheiro. Além disso, também foi demonstrado, que o consumidor não tem o hábito de poupar.

A conjuntura econômica é um fator que contribui fortemente para que as pessoas terminem o mês sem dinheiro para investir, mas a falta de disciplina e de controle das finanças também é um grande entrave. O consumidor deve ter em mente que um orçamento controlado pode fazer toda a diferença no fim do mês. O ideal não é poupar somente o que sobra no fim do mês, mas sempre reservar uma quantia fixa”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Imagem: Pixabay

Como sair e evitar novas dívidas

Para quem já comprometeu toda a renda familiar, encontrar uma luz no final do túnel, pode parecer impossível. Mas, para tudo existe uma solução. A primeira, é evitar novas dívidas, somente gastar com aquilo que realmente é necessário.

O segundo passo é buscar negociar todas as dívidas, sempre priorizando aquelas como os maiores juros embutidos.

Evite utilizar o cartão de crédito no pagamento de dívidas existentes. Isso porque, os juros do cartão de crédito ou cheque especial, são muito elevados. E, nesse caso, apenas troca uma dívida por outra.

Agora, quem está com o orçamento controlado, é preciso evitar algumas armadilhas. Entre elas estão:

Compras por impulso: quem nuca entrou em uma loja para trocar uma peça de roupa que não serviu, e acabou saindo com uma sacola cheia. Isso são as chamadas compras por impulso, é quando o consumidor é bombardeado com ofertas e oportunidades de compras, quando não tem a intenção de fazer compras.

Esse tipo de modalidade representa boa parcela dos endividamentos das famílias brasileiras. Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, apontou que, entre os itens mais comprados com o uso do cartão de crédito e o crediário, estão roupas, sapatos e acessórios. Já percebeu que os caixas das lojas são rodeados por objetos com preços bem convidativos? O objetivo e levar o consumidor a comprar aquilo por impulso.

Parcelamentos com pouca entrada: Há um ditado que diz “quando o milagre é demais, o santo desconfia”.  Bom, é isso que muitas lojas realizam. Com o objetivo de abaixar o valor das parcelas, essas são diluídas em centenas de prestação, além disso, quanto menor for o valor da entrada e maior o tempo de financiamento, maior será a aplicação de taxa de juros. Ou seja, no final, um produto de mil reais, por exemplo, pode custar mais de 3 mil reais.

Aqui vale a regra que abordamos sobre poupar dinheiro. Quando a compra for para um produto de grande valor agregado ou bens duráveis, vale a pena, juntar o dinheiro meses antes da realização da compra. Para que isso, seja bem sucedido, é preciso, muita disciplina e determinação.

Por: Davi de Sant Anna 177 Artigos Contato
Formado em psicologia, e pós-graduando pela COGEAE - PUC-SP. Trabalhou por 18 anos no SENAC São Paulo, nas áreas de administração, e na coordenação de pós-graduação em gestão, turismo e gastronomia.Escreve sobre comportamento, educação e estilo de vida.